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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Comparação dos filmes "Laranja Mecânica" e "1984"


"Laranja Mecânica" é um filme que se passa numa sociedade semelhante a nossa mas que sofre constante com os atos de ultra violência de jovens criminosos. Essa sociedade se assemelha com a de "1984" por usar de torturas para lidar com os presos e por também ter um governo totalitarista.
Alex e Smith, protagonistas dos dois filmes, dividem  alguns fatos em comum. Por exemplo, ambos vivem em realidades alternativas à nossa, um vivendo no que seria o futuro pela visão de quem viveu em 1948 e o outro vivendo numa época futura em relação à nossa, ambos são pegos por seus respectivos governos e passam por um tratamento para que mudem seus comportamentos. Mas as semelhanças param por aí:
Alex é um jovem que, junto de sua gangue, usa produtos psicoativos para que possa praticar a “ultraviolência” e outros atos ordinários, ele e seus comparsas espancam mendigos, lutam com outras gangues, dirigem perigosamente e invadem casas de família para espancar e roubar a todos; tudo isso por pura “diversão”. Smith é um homem de meia idade que trabalha no setor informacional do partido do governo e adora sexo, prática recentemente proibida exceto para reprodução, que começa a questionar o sistema querendo saber se o que todos na época acreditavam era realmente verdade.
Um dia, Alex é pego pela polícia e sofre com a dureza e crueldade do sistema prisional e, ao passar pelo Tratamento Ludovico, um processo tortuoso e emocionalmente destrutivo,  perde seus instintos agressivos e regressa às ruas. A partir daí, ele começa a enfrentar as consequências dos atos violentos do seu passado e deixa de ser o agressor, tornando-se uma vítima e sendo segregado até pelos próprios pais. Enquanto isso, Smith conhece Julia e começa a ter encontros com ela onde ambos efetuavam praticas sexuais em segredo até o dia em que são pegos em pleno ato pelo governo e são presos.
 Já na prisão, Smith é torturado pelo governo para que esqueça qualquer ideologia diferente da praticada por eles e o personagem também aprende a não questionar o que o partido lhe diz em determinados assuntos, ao fim da tortura Smith encontra Julia pela última vez e repassa a ela tudo que compreendeu durante seu tratamento e depois é morto. Alex, em “Laranja Mecânica”, começa a ser perseguido por todos que costumava espancar e roubar inclusive Frank Alexander, que buscava uma vingança pessoal, e seus ex-companheiros de gangue, que o traíram e entraram para a polícia depois. Diante de tantas desgraças em sua vida Alex comete uma falha tentativa de se suicidar, onde sobrevive e acorda num hospital, sendo salvo graças aos melhores cuidados por parte do governo, ao sair do hospital Alex reconcilia-se com seus pais e recebe o convite para entrar em um cargo do governo. Alex diz-se “curado” e volta a suas antigas práticas violentas.
Conclui-se, portanto, que ambos os filmes fazem com que o telespectador reflita sobre os temas abordados e pergunte a si mesmos se o que acontecesse nos filmes poderia vir a se tornar realidade, e também faz com que quem assistiu questione a atual sociedade em que vivem e sua forma de governo atual, para saber se os atos dos indivíduos e dos governos se assemelham com os dos filmes.



Para assistir o filme:


domingo, 14 de outubro de 2012

Economia Global


Um vídeo com gráficos em 3D que mostra a economia de alguns países baseado em algumas perguntas:
Qual o país mais rico?
Qual  o país mais feliz?
Que país  gasta mais em educação?
Quanto que se ganha em uma hora de trabalho?
Por quantas horas a população tem que trabalhar para pagar uma entrada de cinema ou um táxi até em casa?
Entre outras...
 



 
Ps: não tem com legenda, porém dá para entender! :)

A evolução acelerada


Somos mais altos, mais fortes - e cada vez mais gordos - do que nossos antepassados longínquos porque o atual e rapidíssimo estágio tecnológico da civilização nos permite esse luxo.

 
O tamanho e o formato do nosso corpo traduzem a forma econômica e social da população mundial. Um homem ocidental tem hoje em média 1,77 metro e consome um mínimo de 2.378 calorias diárias. Por volta do ano 1700, a altura média do homem era de 1,68 metro e o consumo energético ficava abaixo das 900 calorias, justamente pelo fato de ser uma época anterior a Revolução Industrial, ou seja, a economia era agrária onde precisava de força braçal. Passava-se a maior parte do tempo cultivando ou guerreando, assim se um homem daquele tempo tivesse uma altura de um homem moderno e com um acesso a tão poucas calorias - como era na época - seria totalmente incapacitado para essas duas atividades, pois não pararia em pé com uma armadura sob o corpo e muito menos conseguiria arar o solo do nascer ao pôr do sol.

Os estudiosos chamaram esse campo de estudo de "evolução tecnofísica", onde o componente histórico e econômico andam juntas e justificam a evolução humana. Assim, não se trata mais da evolução darwinista, mas também não é uma teoria rival, pois a proposta por Charles Darwin é um processo lento e delicado em que todos os seres vivos têm um antepassado de que herdam as características físicas. As mutações ocorrem aleatoriamente no coração genético no momento em que a molécula de DNA faz uma cópia de si mesma para passar ao descendente, no decorrer do tempo sofre inúmeras influências externas sendo, então, uma cópia imperfeita. Esses novos indivíduos com essas mutações só saberão se estão mais bem ou mais mal aparelhados que seus pais quando se desenvolverem e enfrentarem a vida. Esse processo explica porque temos dois olhos virados para frente, o polegar opositor, ossos duros e leves ou porque andamos eretos. Cada uma dessas características foi uma novidade na marcha evolutiva e se mostrou útil para a sobrevivência da espécie. Já na evolução tecnofísica o processo é mais rápido, suas mutações são sentidas em uma mesma geração e não são transmitidas geneticamente.

As mutações positivas estão sendo produzidas pelas conquistas atuais do estágio evolutivo da técnica. Quando se vê um atleta como Usain Bolt correr os 100 metros rasos em apenas 9,58 segundos e perseguir um tempo ainda menor, o que estamos testemunhando é a evolução tecnofísica em ação.

Todavia, uma das mais assustadoras mutações tecnofísicas que estão ocorrendo em um ritmo alucinante é a transformação de populações inteiras de pessoas obesas em gordos mórbidos. A enorme fartura e a facilidade de acessa à comida estão facilitando essa transformação. A tecnologia cuida de fabricar carros mais potentes, cadeiras e poltronas maiores e mais resistentes e até guindastes para içar gordos mórbidos nos hospitais. Ou seja, o homem moderno está ingerindo mais calorias e sendo mais sedentário por conta da economia e da tecnologia que permitem que a humanidade seja assim.

Podemos comparar, então, com o filme Wall-E onde a tecnologia atinge seu ponto máximo e depois de décadas de consumismo em massa faz com que a humanidade se mude para uma nave e acabe por viver no espaço já que o planeta Terra não é mais um lugar habitável. Assim, os passageiros humanos sofreram severas perdas de massa óssea e tornaram-se obesos mórbidos porque a tecnologia da nave os permitiu que fossem assim, pois não andavam já que havia cadeiras flutuantes que os levavam para todos os lados, não movimentavam nem as mãos – os computadores e mãos mecânicas faziam isso por eles.

Nos Estados Unidos, 1980 para cá, o número de obesos dobrou. Atualmente, 30% da população americana sofre de exagerado sobrepeso, com índice de massa corporal superior a 30 (calcula-se o IMC dividindo o peso pela altura ao quadrado). O Brasil tem 15,8% da população obesa – patamar semelhante ao dos Estados Unidos há trinta anos. Isso é preocupante, precisa ser combatido e pode nos levar a dizer que o ser humano alto e forte agora também é gordo.



 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Análise do filme "Jogos Vorazes"


 O filme “Jogos Vorazes” apresenta diversas semelhanças com o filme dado em aula “1984”. Sendo o ponto de partida o fato das duas sociedades serem completamente observadas, controladas e monitoradas por uma minoria da população. Enquanto o mundo de 1984 vivia sob o controle do “Big Brother” (Grande Irmão) que mantinha o poder devido a torturas e a luta em uma guerra inexistente; os cidadãos dos Doze Distritos do mundo de Jogos Vorazes viviam em vilas pouco avançadas tecnologicamente e sob um regime controlador, onde a população era mantida longe da cidade Capital, a grande metrópole onde ocorriam os jogos. 
            Esse pensamento teve origem após uma guerra (percebe-se como o elemento bélico está sempre presente em sistemas ditatoriais e autoritários, sempre dando início a mudanças de comportamento e/ou pensamento de, pelo menos, parte da população) que teria acontecido entre a população de determinada região e ao seu término fora decidido que se houvesse batalhas, que estas fossem organizadas pelos controladores e travadas entre os Distritos.
           A questão do trabalho entre os moradores dos Distritos pode ser comparada ao proletário de 1984, já que ambos não tinham boa qualidade de vida, condições precárias de saneamento básico e moradias básicas. Todo trabalho era voltado para os “controladores” e manipulado pelos mesmos, por isso a falta de dinheiro nas famílias. Os empregos eram divididos e nenhuma atividade diferente das escolhidas pelos superiores poderia ser exercida. 
          Além da questão habitacional (que em ambos os filmes era extremamente precária, normalmente casebres formados apenas por três cômodos) e profissional, existe a da alimentação. No filme 1984 os alimentos eram sintéticos, feitos quimicamente para ter sabor de carne, arroz e etc., além de fornecidos durante a jornada de trabalho de cada empregado; similar à alimentação dos Distritos, onde todo alimento que poderia ser consumido era obtido somente através da caça, que poderia ser particular ou comercializada; o pão era algo estritamente proibido e assim como o outro filme era muito comum entre os indivíduos que controlavam a população, mostrando a eterna presença da desigualdade, seja ela exposta ou acobertada pelos mais poderosos.
                 Desigualdade que fica explícita quando os humildes competidores chegam a Capital para disputar suas vidas. As roupas simples e sem cores dão lugar a grandes vestidos elaborados e chamativos, repletos de penduricalhos e claro, chiques. A vestimenta, provavelmente desigual para expressar a diferença do direcionamento dos lucros acumulados pelas duas realidades opostas, dá lugar ao contraste alimentar; enquanto os Distritos alimentam-se de esquilos e outros animais caçados e pão sintético, a elite serve-se com pães, bolos, tortas, leitões (os mesmos porcos podem ser os criados por um sobrevivente, personagem principal da história, já que este aparece inúmeras vezes alimentado os animais em lembranças durante o filme; o que mostra para onde vão os bens produzidos pelos servos da Capital) em banquetes que alimentam influentes cidadãos, enquanto os distritos vivem de sobras e caça. 
                  Em relação a sociedade atual pode-se dizer que o filme contém diversas semelhanças, como por exemplo o fato da manipulação dos Jogos da Capital onde os donos dos patrocínios e investidores do programa alteravam as regras somente para manter o público, sem perder os lucros e a audiência padrão. Na sociedade contemporânea existem realities shows (Big Brother Brasil, A Fazenda, etc) exatamente iguais, ou seja, os detentores do capital e dos patrocínios decidem qual será o destino do programa. Ainda em relação aos realities, o fato da personagem principal no filme manter uma relação afetiva com o garoto do mesmo Distrito mostra o desejo de ganhar a competição a qualquer custo, assim como os confinados dos programas atuais que iniciam relacionamentos para ter mais chances de se manter na competição, dando ao público o que eles gostariam de ver.
          No filme 1984 há a presença do Grande Irmão, o líder do Partido que comandava tudo e todos, decidia as profissões e as leis de todo o território; quem recebe esse papel de comandante nos Jogos Vorazes é um influente cidadão, que tem o poder de invocar ou realizar qualquer tipo de ação dentro da arena, influenciando ou não no jogos. Na atualidade não é possível definir se existem essas ações em programas de televisão, mas é provável que esse controle exista e não somente no entretenimento de massa, e possível que haja essa manipulação em outras áreas, muito mais importantes.












domingo, 7 de outubro de 2012

Escala Latina

Índios habitavam em paz as suas ocas
Até que as raposas deixaram suas tocas
Vieram pelo mar com a cruz e a espada
Pra roubar e violentar a nova terra imaculada


Pretenciosos, senhores da razão
Queimaram na fogueira o valor da intuição
Extermínios, catequeses e a 'Santa' Inquisição
São séculos de crimes, tortura e escravidão


Navios negreiros não cruzam mais o oceano
Mas o trabalho e o dinheiro continuam escravizando
Impondo ao mundo a cultura do capital
Materialismo, acumulo e o pensamento individual


Abstrairei os ataques da propaganda
E os valores egoístas que eles vêm para pregar
A mentira secular de trabalhar para viver
E a rotina angustiante de viver pra trabalhar


A concorrência de mercado e a histeria produtiva
A sociedade de consumo e seu sentido sem sentido
Marginalizam o ócio e a vida contemplativa
Sufocando almas num deserto criativo


Navios negreiros não cruzam mais o oceano
Mas o trabalho e o dinheiro continuam escravizando
Impondo ao mundo a cultura capital
Materialismo, acúmulo e o pensamento individual


O sangue e o suor os povos do mundo inteiro
São oferendas colocadas no altar do Deus dinheiro
Mas essa forma de existência desumana e limitada
Será em breve abolida e pelo amor superada


Um fato sabido é que o luxo só existe às custas de muita miséria e o bem-estar social é privilégio de poucos que se pratica uma lavagem cerebral disfarçada com o nome de entretenimento, mas mesmo diante da maior das atrocidades não experimentaremos sentimentos como o ódio e o desprezo ao invés disso nossos corações transbordarão amor e compaixão.

Forfun

sábado, 29 de setembro de 2012

Análise do filme 1984


             Apesar de o livro ter sido escrito em 1945 e mostrado um futuro na época de 1984, é possível realizar uma grande analogia em relação ao mundo contemporâneo e a realidade em que vivemos. Digo isso porque a vigilância sobre a população tão enfatizada no filme, pode ser relacionada atualmente com numerosas situações cotidianas, seja no armazenamento de dados da pessoa em redes sociais, possibilitando a divulgação pública de informações privadas; até mesmo através do GPS, em que os próprios movimentos podem ser facilmente localizados; e as câmaras nas ruas, escolas, consultórios? Aparentemente, visando a segurança, realisticamente vigiando os cidadãos, garantindo ao sistema atual o controle de todas as atividades realizadas pelo indivíduo.

           Além disso,  há a questão das informações reeditas tão bem mostradas no filme com o Smith, que fazia parte do partido e trabalhava na área de informações, possibilitando a ele uma mudança nas notícias que seriam divulgadas, de acordo com os interesses do Estado. Isso mostra talvez a sociedade em que vivemos: será realmente que todo o sistema de produção e divulgação das notícias, informações não são distorcidas, manipuladas, colocando o que querem em jornais, revistas, todos os tipos de meios de comunicação de massa em prol do proveito do “dono” do poder atual? Alguns podem ser bem claros, outros talvez saibam ser sutis.
             O autor quis mostrar uma verdadeira crítica ao totalitarismo, seja através da criação da “teletela”, espécie de televisão instalada em todos os locais, para que a população fosse obrigada a ouvir todas as notícias repassadas (eram controladas pelo governo e atuavam sempre a mostrar o desenvolvimento da cidade e melhoria das condições na sociedade) e pudessem ao mesmo tempo serem observadas pelo sistema de monitoração do “Big Brother”.
         Pode-se, portanto, relacionar essa monitoração ao programa atual do Big Brother, em que os participantes se submetem a serem vigiados, mesmo que isso seja prejudicial depois a eles, por mostrá-los 24 horas e muitas vezes degradar a imagem de vários deles, devido a priori a edição de imagens realizadas pelo próprio programa.       
         Em uma sociedade onde o Estado é retratado por impor todos os seus interesses à população, influenciando-os, seja desenvolvendo um novo idioma ou oprimindo aqueles que são contra o regime instaurado, Smith e Julia marcam a contrariedade ao sistema, principalmente pelo amor dos dois e os prazeres vivenciados, que mesmo simples (evidenciado pelo anseio do protagonista de beber café, por exemplo), são proibidos.
             Algo curioso para ser refletido é o fato de que para o protagonista a liberdade era poder dizer que 2+2= 4, porém o partido fazia com que, para exercerem o poder, acreditassem absolutamente que 2+2 = 5, visando a certeza que não poderiam refletir sobre determinados assuntos, como esse, e sim simplesmente aceitar. 
          Ps: é bom observar que até mesmo as crianças não escapam desse jogo do partido, até mesmo são as principais delatoras, como foi visto quando Smith encontra seu vizinho, que foi denunciado pela própria filha, já que é moldada, educada através dos padrões de comportamento do sistema em vigor.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Como Walt Disney bombardeou o Japão

A máquina de propaganda antinazista da Disney - e veja como Walt deu a receita para a vitória na 2ª Guerra.

Walt Disney desejava defender os Estados Unidos. Tentou na 1ª Guerra, mas era menor de idade e só conseguiu um posto de piloto de ambulância da Cruz Vermelha depois que o conflito acabou, em 1918. Quando a 2ª Guerra chegou, em 1939, ele já era um artista conhecido e renomado - Branca de Neve e os Sete Anões, seu primeiro longa-metragem de animação, é de 1937. Usou seu talento na produção de filmes de treinamento e propaganda. Zé Carioca, o personagem brasileiro criado por ele também, é um filho do esforço de guerra e da política de boa vizinhança americanos. Entre 1942 e 1945, Disney produziu mais de 68 horas de animação de caráter patriótico. A importância do animador para as Forças Armadas dos EUA pode ser medida de forma simbólica. A senha para a maior operação americana na 2ª Guerra, o Dia D, foi Mickey Mouse.

A participação de Disney no esforço de guerra incluía a produção de filmes de treinamento militar, de propaganda e educação para o público americano - e de libelos antinazistas. Mas não só isso. Seus desenhistas criaram mais de mil insígnias usadas por divisões das Forças Armadas. As ações dos estúdios Disney "foram uma das principais bombas que os exércitos aliados lançaram contra seus inimigos", afirma Clotilde Perez, professora da Escola de Comunicação e Artes da USP. Disney, claro, não estava sozinho. Muitos outros diretores e atores de Hollywood se engajaram na luta contra os países do Eixo depois de Pearl Harbor. Mas era difícil concorrer em popularidade - e em volume de produção - com o pai de Mickey Mouse.

O envolvimento entre Disney e o governo começou antes da entrada dos EUA na guerra. Em busca de novos mercados - mas principalmente de aliados estáveis no continente -, o presidente Franklin Roosevelt criou a chamada "política da boa vizinhança". O responsável pelo programa era o milionário Nelson Rockefeller, que alertara o presidente sobre a influência nazista na América Latina. Em agosto de 1941, Disney estava ao lado do enfant terrible Orson Welles em terras brasileiras. Welles havia acabado de lançar Cidadão Kane. Por aqui, filmou jangadeiros, investiu num roteiro sobre um garoto e seu touro, tentou um documentário chamado É Tudo Verdade... E a verdade é que nada deu certo. Ao contrário de Disney. No Rio de Janeiro, inspirado pela natureza e, dizem, pelas piadas de papagaio, criou Zé Carioca - o tipinho folgado, de guarda-chuva e gravata-borboleta, que atazanaria o Pato Donald em Alô, Amigos, de 1943.

A partir de 1942, com os EUA no front, Disney engajou-se de vez. Seus estúdios foram transformados em alojamentos e centenas de militares passaram a residir ali. Marinha, Aeronáutica e Exército requisitavam a todo momento a presença do artista para colaborar com as ações de combate. Inspirados pelos oficiais, os personagens de Disney também foram para as trincheiras. Pato Donald estrelou um filme em que mostrava aos cidadãos americanos a importância de pagar em dia os impostos. Era o dinheiro do contribuinte que financiava as atividades bélicas além-mar. Nos aviões, navios, hospitais e ambulâncias, a turma do Mickey desfilava tentando elevar a autoestima da nação. Em um dos curtas metragens, Out of the Frying Pan into the Firing Line, (Saindo da Frigideira para a Linha de Tiro), Minnie, de saia azul, avental, sapatos de salto alto vermelhos e laçarote na cabeça, está preparando ovos com bacon. Na parede, uma foto de Mickey, de farda, transcende otimismo (é a única imagem em toda a história do rato em uniforme militar). Ela está prestes a despejar gordura sobre a ração de Pluto quando o locutor de rádio interrompe a ação com um alerta às donas de casa: quem desperdiça o resto da gordura da cozinha está favorecendo os exércitos inimigos. E não é por elevar o colesterol das tropas nacionais. Minnie deve saber que a mesma gordura serve também para fazer munição. O locutor explica que se deve depositar o óleo usado em uma vasilha e congelá-lo. Quando o pote estiver cheio, um açougue identificado por um selo do governo trocará a gordura por dinheiro.

Nos meses seguintes as produções se sucederam. Em Victory Through Air Power (Vitória por Meio do Poder Aéreo), de 1943, a propaganda sutil dá lugar a um manual de como vencer o Japão por meio de bombardeios. Baseado no livro do major Alexander P. Seversky, o filme mistura desenhos e imagens para mostrar como a aviação transforma o poderio bélico e o rumo das guerras. Os traços típicos das superproduções Disney prestam-se a detalhar como é a melhor forma de bombardear países inimigos. O filme retrata a expansão das tropas de Hitler pela Europa e o ataque da Marinha japonesa à base de Pearl Harbor. Seversky ensina estratégias de de ataque, mostra mapas e projetos para bombardear indústrias bélicas do Eixo. Ele evidencia o caminho da vitória: investir em bombardeios aéreos em solo japonês.
Ninguém sabia ainda que, em agosto de 1945, o país da Disneylândia lançaria bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki.
O ponto alto das animações de propaganda de Disney são os filmes contra o nazismo. Num deles, Der Führer's Face (A Face do Führer), de 1943, Donald é funcionário de uma fábrica de munições na Alemanha e é ameaçado de morte a qualquer sinal de cansaço - e devidamente vestido de nazista, como você viu na abertura desta reportagem. Em The Hitler's Children - Education for Death (As Crianças de Hitler - Educação para a Morte), o pequeno Hans é acompanhado desde o nascimento até se tornar um nazista fanático quando jovem. Numa das sequências que parodia a lenda da Bela Adormecida (que o próprio Disney lançaria só em 1959), Hitler é um príncipe medieval que salva a donzela Alemanha da bruxa Democracia. Ao longo do filme, a Bíblia se transforma em Mein Kampf e o crucifixo cristão dá lugar à suástica - mais direto, impossível.


1. Vitória por meio do poder aéreo (Victory Through Air Power, 1943)


2. Saindo da frigideira... (Out of the Frying Pan into the Firing Line, 1942)


3. As crianças de Hitler (Hitler's Children - Education for Death, 1943)


4. Você já foi à Bahia? (The Three Caballeros, 1944)

A iniciativa americana de criar e manter alianças na América Latina foi um capítulo especial da diplomacia na 2ª Guerra. Vários países, entre os quais o Brasil, nutriam simpatia pelo nazismo. Um dos fronts da política da boa vizinhança foi a cultura. Zé Carioca é fruto disso.

(Revista Aventuras na História, março 2012)