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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Análise do filme "Jogos Vorazes"


 O filme “Jogos Vorazes” apresenta diversas semelhanças com o filme dado em aula “1984”. Sendo o ponto de partida o fato das duas sociedades serem completamente observadas, controladas e monitoradas por uma minoria da população. Enquanto o mundo de 1984 vivia sob o controle do “Big Brother” (Grande Irmão) que mantinha o poder devido a torturas e a luta em uma guerra inexistente; os cidadãos dos Doze Distritos do mundo de Jogos Vorazes viviam em vilas pouco avançadas tecnologicamente e sob um regime controlador, onde a população era mantida longe da cidade Capital, a grande metrópole onde ocorriam os jogos. 
            Esse pensamento teve origem após uma guerra (percebe-se como o elemento bélico está sempre presente em sistemas ditatoriais e autoritários, sempre dando início a mudanças de comportamento e/ou pensamento de, pelo menos, parte da população) que teria acontecido entre a população de determinada região e ao seu término fora decidido que se houvesse batalhas, que estas fossem organizadas pelos controladores e travadas entre os Distritos.
           A questão do trabalho entre os moradores dos Distritos pode ser comparada ao proletário de 1984, já que ambos não tinham boa qualidade de vida, condições precárias de saneamento básico e moradias básicas. Todo trabalho era voltado para os “controladores” e manipulado pelos mesmos, por isso a falta de dinheiro nas famílias. Os empregos eram divididos e nenhuma atividade diferente das escolhidas pelos superiores poderia ser exercida. 
          Além da questão habitacional (que em ambos os filmes era extremamente precária, normalmente casebres formados apenas por três cômodos) e profissional, existe a da alimentação. No filme 1984 os alimentos eram sintéticos, feitos quimicamente para ter sabor de carne, arroz e etc., além de fornecidos durante a jornada de trabalho de cada empregado; similar à alimentação dos Distritos, onde todo alimento que poderia ser consumido era obtido somente através da caça, que poderia ser particular ou comercializada; o pão era algo estritamente proibido e assim como o outro filme era muito comum entre os indivíduos que controlavam a população, mostrando a eterna presença da desigualdade, seja ela exposta ou acobertada pelos mais poderosos.
                 Desigualdade que fica explícita quando os humildes competidores chegam a Capital para disputar suas vidas. As roupas simples e sem cores dão lugar a grandes vestidos elaborados e chamativos, repletos de penduricalhos e claro, chiques. A vestimenta, provavelmente desigual para expressar a diferença do direcionamento dos lucros acumulados pelas duas realidades opostas, dá lugar ao contraste alimentar; enquanto os Distritos alimentam-se de esquilos e outros animais caçados e pão sintético, a elite serve-se com pães, bolos, tortas, leitões (os mesmos porcos podem ser os criados por um sobrevivente, personagem principal da história, já que este aparece inúmeras vezes alimentado os animais em lembranças durante o filme; o que mostra para onde vão os bens produzidos pelos servos da Capital) em banquetes que alimentam influentes cidadãos, enquanto os distritos vivem de sobras e caça. 
                  Em relação a sociedade atual pode-se dizer que o filme contém diversas semelhanças, como por exemplo o fato da manipulação dos Jogos da Capital onde os donos dos patrocínios e investidores do programa alteravam as regras somente para manter o público, sem perder os lucros e a audiência padrão. Na sociedade contemporânea existem realities shows (Big Brother Brasil, A Fazenda, etc) exatamente iguais, ou seja, os detentores do capital e dos patrocínios decidem qual será o destino do programa. Ainda em relação aos realities, o fato da personagem principal no filme manter uma relação afetiva com o garoto do mesmo Distrito mostra o desejo de ganhar a competição a qualquer custo, assim como os confinados dos programas atuais que iniciam relacionamentos para ter mais chances de se manter na competição, dando ao público o que eles gostariam de ver.
          No filme 1984 há a presença do Grande Irmão, o líder do Partido que comandava tudo e todos, decidia as profissões e as leis de todo o território; quem recebe esse papel de comandante nos Jogos Vorazes é um influente cidadão, que tem o poder de invocar ou realizar qualquer tipo de ação dentro da arena, influenciando ou não no jogos. Na atualidade não é possível definir se existem essas ações em programas de televisão, mas é provável que esse controle exista e não somente no entretenimento de massa, e possível que haja essa manipulação em outras áreas, muito mais importantes.












domingo, 7 de outubro de 2012

Escala Latina

Índios habitavam em paz as suas ocas
Até que as raposas deixaram suas tocas
Vieram pelo mar com a cruz e a espada
Pra roubar e violentar a nova terra imaculada


Pretenciosos, senhores da razão
Queimaram na fogueira o valor da intuição
Extermínios, catequeses e a 'Santa' Inquisição
São séculos de crimes, tortura e escravidão


Navios negreiros não cruzam mais o oceano
Mas o trabalho e o dinheiro continuam escravizando
Impondo ao mundo a cultura do capital
Materialismo, acumulo e o pensamento individual


Abstrairei os ataques da propaganda
E os valores egoístas que eles vêm para pregar
A mentira secular de trabalhar para viver
E a rotina angustiante de viver pra trabalhar


A concorrência de mercado e a histeria produtiva
A sociedade de consumo e seu sentido sem sentido
Marginalizam o ócio e a vida contemplativa
Sufocando almas num deserto criativo


Navios negreiros não cruzam mais o oceano
Mas o trabalho e o dinheiro continuam escravizando
Impondo ao mundo a cultura capital
Materialismo, acúmulo e o pensamento individual


O sangue e o suor os povos do mundo inteiro
São oferendas colocadas no altar do Deus dinheiro
Mas essa forma de existência desumana e limitada
Será em breve abolida e pelo amor superada


Um fato sabido é que o luxo só existe às custas de muita miséria e o bem-estar social é privilégio de poucos que se pratica uma lavagem cerebral disfarçada com o nome de entretenimento, mas mesmo diante da maior das atrocidades não experimentaremos sentimentos como o ódio e o desprezo ao invés disso nossos corações transbordarão amor e compaixão.

Forfun

sábado, 29 de setembro de 2012

Análise do filme 1984


             Apesar de o livro ter sido escrito em 1945 e mostrado um futuro na época de 1984, é possível realizar uma grande analogia em relação ao mundo contemporâneo e a realidade em que vivemos. Digo isso porque a vigilância sobre a população tão enfatizada no filme, pode ser relacionada atualmente com numerosas situações cotidianas, seja no armazenamento de dados da pessoa em redes sociais, possibilitando a divulgação pública de informações privadas; até mesmo através do GPS, em que os próprios movimentos podem ser facilmente localizados; e as câmaras nas ruas, escolas, consultórios? Aparentemente, visando a segurança, realisticamente vigiando os cidadãos, garantindo ao sistema atual o controle de todas as atividades realizadas pelo indivíduo.

           Além disso,  há a questão das informações reeditas tão bem mostradas no filme com o Smith, que fazia parte do partido e trabalhava na área de informações, possibilitando a ele uma mudança nas notícias que seriam divulgadas, de acordo com os interesses do Estado. Isso mostra talvez a sociedade em que vivemos: será realmente que todo o sistema de produção e divulgação das notícias, informações não são distorcidas, manipuladas, colocando o que querem em jornais, revistas, todos os tipos de meios de comunicação de massa em prol do proveito do “dono” do poder atual? Alguns podem ser bem claros, outros talvez saibam ser sutis.
             O autor quis mostrar uma verdadeira crítica ao totalitarismo, seja através da criação da “teletela”, espécie de televisão instalada em todos os locais, para que a população fosse obrigada a ouvir todas as notícias repassadas (eram controladas pelo governo e atuavam sempre a mostrar o desenvolvimento da cidade e melhoria das condições na sociedade) e pudessem ao mesmo tempo serem observadas pelo sistema de monitoração do “Big Brother”.
         Pode-se, portanto, relacionar essa monitoração ao programa atual do Big Brother, em que os participantes se submetem a serem vigiados, mesmo que isso seja prejudicial depois a eles, por mostrá-los 24 horas e muitas vezes degradar a imagem de vários deles, devido a priori a edição de imagens realizadas pelo próprio programa.       
         Em uma sociedade onde o Estado é retratado por impor todos os seus interesses à população, influenciando-os, seja desenvolvendo um novo idioma ou oprimindo aqueles que são contra o regime instaurado, Smith e Julia marcam a contrariedade ao sistema, principalmente pelo amor dos dois e os prazeres vivenciados, que mesmo simples (evidenciado pelo anseio do protagonista de beber café, por exemplo), são proibidos.
             Algo curioso para ser refletido é o fato de que para o protagonista a liberdade era poder dizer que 2+2= 4, porém o partido fazia com que, para exercerem o poder, acreditassem absolutamente que 2+2 = 5, visando a certeza que não poderiam refletir sobre determinados assuntos, como esse, e sim simplesmente aceitar. 
          Ps: é bom observar que até mesmo as crianças não escapam desse jogo do partido, até mesmo são as principais delatoras, como foi visto quando Smith encontra seu vizinho, que foi denunciado pela própria filha, já que é moldada, educada através dos padrões de comportamento do sistema em vigor.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Como Walt Disney bombardeou o Japão

A máquina de propaganda antinazista da Disney - e veja como Walt deu a receita para a vitória na 2ª Guerra.

Walt Disney desejava defender os Estados Unidos. Tentou na 1ª Guerra, mas era menor de idade e só conseguiu um posto de piloto de ambulância da Cruz Vermelha depois que o conflito acabou, em 1918. Quando a 2ª Guerra chegou, em 1939, ele já era um artista conhecido e renomado - Branca de Neve e os Sete Anões, seu primeiro longa-metragem de animação, é de 1937. Usou seu talento na produção de filmes de treinamento e propaganda. Zé Carioca, o personagem brasileiro criado por ele também, é um filho do esforço de guerra e da política de boa vizinhança americanos. Entre 1942 e 1945, Disney produziu mais de 68 horas de animação de caráter patriótico. A importância do animador para as Forças Armadas dos EUA pode ser medida de forma simbólica. A senha para a maior operação americana na 2ª Guerra, o Dia D, foi Mickey Mouse.

A participação de Disney no esforço de guerra incluía a produção de filmes de treinamento militar, de propaganda e educação para o público americano - e de libelos antinazistas. Mas não só isso. Seus desenhistas criaram mais de mil insígnias usadas por divisões das Forças Armadas. As ações dos estúdios Disney "foram uma das principais bombas que os exércitos aliados lançaram contra seus inimigos", afirma Clotilde Perez, professora da Escola de Comunicação e Artes da USP. Disney, claro, não estava sozinho. Muitos outros diretores e atores de Hollywood se engajaram na luta contra os países do Eixo depois de Pearl Harbor. Mas era difícil concorrer em popularidade - e em volume de produção - com o pai de Mickey Mouse.

O envolvimento entre Disney e o governo começou antes da entrada dos EUA na guerra. Em busca de novos mercados - mas principalmente de aliados estáveis no continente -, o presidente Franklin Roosevelt criou a chamada "política da boa vizinhança". O responsável pelo programa era o milionário Nelson Rockefeller, que alertara o presidente sobre a influência nazista na América Latina. Em agosto de 1941, Disney estava ao lado do enfant terrible Orson Welles em terras brasileiras. Welles havia acabado de lançar Cidadão Kane. Por aqui, filmou jangadeiros, investiu num roteiro sobre um garoto e seu touro, tentou um documentário chamado É Tudo Verdade... E a verdade é que nada deu certo. Ao contrário de Disney. No Rio de Janeiro, inspirado pela natureza e, dizem, pelas piadas de papagaio, criou Zé Carioca - o tipinho folgado, de guarda-chuva e gravata-borboleta, que atazanaria o Pato Donald em Alô, Amigos, de 1943.

A partir de 1942, com os EUA no front, Disney engajou-se de vez. Seus estúdios foram transformados em alojamentos e centenas de militares passaram a residir ali. Marinha, Aeronáutica e Exército requisitavam a todo momento a presença do artista para colaborar com as ações de combate. Inspirados pelos oficiais, os personagens de Disney também foram para as trincheiras. Pato Donald estrelou um filme em que mostrava aos cidadãos americanos a importância de pagar em dia os impostos. Era o dinheiro do contribuinte que financiava as atividades bélicas além-mar. Nos aviões, navios, hospitais e ambulâncias, a turma do Mickey desfilava tentando elevar a autoestima da nação. Em um dos curtas metragens, Out of the Frying Pan into the Firing Line, (Saindo da Frigideira para a Linha de Tiro), Minnie, de saia azul, avental, sapatos de salto alto vermelhos e laçarote na cabeça, está preparando ovos com bacon. Na parede, uma foto de Mickey, de farda, transcende otimismo (é a única imagem em toda a história do rato em uniforme militar). Ela está prestes a despejar gordura sobre a ração de Pluto quando o locutor de rádio interrompe a ação com um alerta às donas de casa: quem desperdiça o resto da gordura da cozinha está favorecendo os exércitos inimigos. E não é por elevar o colesterol das tropas nacionais. Minnie deve saber que a mesma gordura serve também para fazer munição. O locutor explica que se deve depositar o óleo usado em uma vasilha e congelá-lo. Quando o pote estiver cheio, um açougue identificado por um selo do governo trocará a gordura por dinheiro.

Nos meses seguintes as produções se sucederam. Em Victory Through Air Power (Vitória por Meio do Poder Aéreo), de 1943, a propaganda sutil dá lugar a um manual de como vencer o Japão por meio de bombardeios. Baseado no livro do major Alexander P. Seversky, o filme mistura desenhos e imagens para mostrar como a aviação transforma o poderio bélico e o rumo das guerras. Os traços típicos das superproduções Disney prestam-se a detalhar como é a melhor forma de bombardear países inimigos. O filme retrata a expansão das tropas de Hitler pela Europa e o ataque da Marinha japonesa à base de Pearl Harbor. Seversky ensina estratégias de de ataque, mostra mapas e projetos para bombardear indústrias bélicas do Eixo. Ele evidencia o caminho da vitória: investir em bombardeios aéreos em solo japonês.
Ninguém sabia ainda que, em agosto de 1945, o país da Disneylândia lançaria bombas atômicas sobre Hiroshima e Nagasaki.
O ponto alto das animações de propaganda de Disney são os filmes contra o nazismo. Num deles, Der Führer's Face (A Face do Führer), de 1943, Donald é funcionário de uma fábrica de munições na Alemanha e é ameaçado de morte a qualquer sinal de cansaço - e devidamente vestido de nazista, como você viu na abertura desta reportagem. Em The Hitler's Children - Education for Death (As Crianças de Hitler - Educação para a Morte), o pequeno Hans é acompanhado desde o nascimento até se tornar um nazista fanático quando jovem. Numa das sequências que parodia a lenda da Bela Adormecida (que o próprio Disney lançaria só em 1959), Hitler é um príncipe medieval que salva a donzela Alemanha da bruxa Democracia. Ao longo do filme, a Bíblia se transforma em Mein Kampf e o crucifixo cristão dá lugar à suástica - mais direto, impossível.


1. Vitória por meio do poder aéreo (Victory Through Air Power, 1943)


2. Saindo da frigideira... (Out of the Frying Pan into the Firing Line, 1942)


3. As crianças de Hitler (Hitler's Children - Education for Death, 1943)


4. Você já foi à Bahia? (The Three Caballeros, 1944)

A iniciativa americana de criar e manter alianças na América Latina foi um capítulo especial da diplomacia na 2ª Guerra. Vários países, entre os quais o Brasil, nutriam simpatia pelo nazismo. Um dos fronts da política da boa vizinhança foi a cultura. Zé Carioca é fruto disso.

(Revista Aventuras na História, março 2012)

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Do caráter fundamental da guerra


“Na guerra eterna a humanidade se torna grande – na paz eterna a humanidade se arruinaria” (Adolf Hitler)

   Reduzem-se todos os sentimentos Humanos a uma só vontade que revela a voz da Natureza: a Vida. O amor, a ansiedade, o ódio, o medo, e todas as vontades Humanas nada são, mas, preâmbulos da ‘coisa’ em si, isto é, da preservação da vida. E é em virtude desse sentimento instintivo, e, portanto, irracional, de apego à vida que questões como suicídio ou a guerra – fenômenos que amiúde se sinonimizam – despertam a indignação e comoção alheia.

   Faz-se uma tarefa curiosa observar o êxito obtido por grandes oradores e líderes da História em lograr os instintos naturais Humanos persuadindo massas a guerrear em nome de uma ideologia ufanada. E é justamente o absurdo – como fenômeno filosófico, por excelência – da sujeição da própria vida perante algum motivo “maior”, que é concluído quando se discute a razão da própria guerra. Mas não só à questão da morte massiva resume-se o ilogismo da guerra, basta abandonar por um instante a lógica geopolítica e refletir a guerra filosoficamente para reconhecer sua absoluta futilidade.

   Entrementes, é necessário, numa ótica certamente antagônica à opinião comum, e, em absoluto fria, reconhecer a guerra como elemento fundamentalmente propulsor de avanços científicos e tecnológicos na História, ou seja, reconhecer os elementos de efervescência política e popular como molas de todo o desenvolvimento avançado hodiernamente, e, pois, compreender o caráter estagnante e infértil da paz em termos sociológicos.

   Não é necessária lá muita inteligência, tampouco, algum oráculo, para inferir que a relação Humana com a paz, não felizmente, permanecerá sempre no plano da Idealização, nos bulevares da literatura e da poesia; pois que o Homem é naturalmente belicoso, e que portanto – ainda que fosse possível – anular seu ethos guerreiro significaria, sobretudo, caricaturá-lo como uma aberração da Natureza. Além disto, a plena paz dos indivíduos de todas as sociedades e culturas, como ingenuamente almeja-se, coincidiria com o fim dos avanços da Humanidade, isto é, com uma inércia absoluta e inimaginável, que muito provavelmente findaria por sê-la fatal.

Agatha Prado

O Ápice da complexidade Humana


   Tão forte quanto qualquer necessidade de ordem biológica, a amizade deve ser reconhecida como fator fundamental à evolução do Homem, pois, que como subproduto do desenvolvimento da consciência, ainda em suas formas primitivas, superou os sentimentos de hostilidade natural entre os indivíduos, possibilitando, portanto, o trabalho conjunto, e, posteriormente o desenvolvimento das técnicas. Daí, juntamente ao desenvolver-se da linguagem e de seus signos, tem-se não mais um indivíduo resignado ao silêncio de seu pensamento, mas a interação de um grupo de indivíduos, formando, assim, um esquema de complexidade semelhante a de computadores em rede.

   Contudo, basta um olhar mais cético sob a dinâmica das relações de amizade atuais (mormente entre os jovens) para considerar a inutilidade absoluta dessas relações, e, descobrir na essência desse sentimento uma necessidade de “aceitação no rebanho”. O que se percebe, como um resultado disso, é a criação de um pavor pela individualidade, por toda uma geração, e, por conseguinte, o receio de pensar individualmente; adicionam-se os imperativos e padrões da mídia, e têm-se um exército de cabeças não-pensantes prensadas pela constante coerção social.

   Seria leviano, porém, desconsiderar a nobreza das amizades mais maduras, aquelas que Humanizam a inóspita gelidez dos grandes centros urbanos, aquelas que em verdade consistem em uma metafísica e exploram o potencial da razão e da emoção do Ser Humano.

   Assim, a preservação da individualidade elevada à misantropia apresenta-se como uma inteligente opção àqueles capazes de superar os instintos mais primitivos, e, a amizade como um fenômeno que exprime, sobretudo, o ápice da complexidade Humana.

Agatha Prado


sempre bom lembrar algumas datas, principalemnte, quem esta no terceiro ano ...